José Eduardo
Agualusa
Revista de Imprensa
Estação das Chuvas. Edições Dom Quixote, Lisboa, Portugal. 1996.
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No início de Estação das chuvas, José Eduardo Agualusa adota uma atmosfera fantástica que traz a inevitável lembrança de um Cem anos de Solidão, de Gabriel Garcia Màrquez. (...)Mas engana-se quem pensa que o resto deste romance continua no mesmo teor. Agualusa alternará a perspectiva de sonho com trechos de intensa crueza realista, principalmente quando se trata de descrever o processo histórico de libertação de Angola. Na segunda metade da história, uma cena na prisão pode lembrar o Tahar Ben Jelloun de Sufrían por la luz.(...)
Tércia Montenegro – O Povo, o Jornal do Ceará
Entre o início cheio de romantismo revolucionário e a declaração final dum desespero sem limites, os leitores podem seguir a história de Angola durante um período de 90 anos. O foco está, no entanto, entre os anos de 1960 a 1990, e embora se façam visitas espaciais tanto à Europa como ao Brasil, Estação das Chuvas é uma história angolana, virada para os conflitos políticos da jovem nação e para os conflitos entre intelectuais e militares. É uma história extremamente violenta, de opressão, de sensura e de tortura. Configura, enfim, o inferno da guerra civil que se apresenta, um caos anárquico em que se mudam rapidamente as posições, e onde os antigos amigos acabam, às vezes, por torturarem os próprios amigos, que se encontram, com frequência por mera coincidência, presos. O autor não recorre, a múltiplas vozes narrativas contrastantes, nem ao humor, nem à paródia ou à sátira; descreve-nos a ruína económica, ecológica e moral dum país sem futuro.
Anne Sletsjøe – Universidade de Oslo